Extra crispy
Adoro a praia mas há uma imagem que me traumatiza repetidamente nos últimos anos. Tentem lá encontrar na vossa memória a imagem da senhora na casa dos seus cinquenta/sessenta anos, habitualmente habitante local, de fato-de-banho preto, pontos de referência corporais 20 a 50 cm abaixo do seu ponto original, chega bem cedo à praia todos os dias da semana, ocupa a sua rocha preferida e começa as suas caminhadas frenéticas duma ponta à outra da praia. Até aqui tudo normal, costumo chegar cedo, dar o primeiro mergulho com a praia ainda deserta e depois fico calmamente a ler um livro, mas nunca me incomodei com quem opta por não parar quieto um segundo.A parte traumatizante chega com o Sol na sua máxima força e esplendor. A verdade é que a senhora já tem um bronze que está algures entre angolana e ardósia, mas isso não a impede de se besuntar com o seu óleo bronzeador factor um e meio (protector solar é coisa de meninas) e espojar-se o sol como uma sardanisca mutante de um metro e sessenta. O calor aperta e lá está o maldito gesto: puxar o fato banho para dentro e deixar mais 2 cm de rabo branco à mostra para corar. No final de Agosto a imagem é verdadeiramente assustadora porque, sem exagero, já há quase um metro e meio de rabo velho com textura de papa Cerelac a desidratar (ainda mais) mesmo à minha frente. Agora alguém me responda: PORQUÊ???
Qual a necessidade de um bronze industrial nesta idade, em especial no rabo? A sério tapem lá isso como deve ser, uma cueca grande é suficiente, esqueçam a parte de cima, há muito que o peito e a barriga partilham o mesmo espaço! Será que quando saem da praia vestem uma micro-mini-saia e vão bombar para a discoteca? Talvez pretendam embarcar numa daquelas viagens das Juntas de Freguesia (aquelas onde a meio da tarde assistem a demonstrações de tupperware e aspiradores e no fim lhes oferecem um frasco de mel e um boné) e, num secreto fetiche jovial, esperem encontrar um jovem de 20 anos que as leve para um quarto do INATEL e lhes sussurre ao ouvido "Ai avozinha, essa marquinha de bronze deixa-me doido".

